16 de dezembro de 2007

Funções Vitais das Organizações

O mundo real é composto por coisas que num determinado instante e contexto assumem papéis e estados. Darei um exemplo: uma pessoa, no papel de ser biológico, enquanto tiver suas funções vitais preservadas estará viva e este será seu estado, quando ela estiver desprovida de suas funções seu estado mudará e agora ela estará morta. Aliás, a palavra “defuncto”, originária do latim, significa exatamente desprovido de função.

Não fique deprimido, a morbidez do artigo termina aqui. Eu só me utilizei dela para, ilustrar que dentro de um determinado contexto as coisas desempenham papéis e assumem sempre um entre dois estados.

O mesmo ocorre com as organizações de qualquer natureza. Elas são compostas por elementos que interagem para atingir um objetivo, portanto são sistemas e estão sujeitas a princípios sistêmicos. O isomorfismo, que significa formas iguais, é um destes princípios. Ele nos permite estudar o comportamento de um sistema frente ao comportamento apresentado por outro sistema – por analogia. Assim, o estudo das organizações pode, de forma análoga, ser analisado tendo como referência os sistemas vivos, e isso nos leva a afirmar que as organizações assumem um entre dois estados: Vivo e morto.

Uma organização estará viva enquanto suas funções vitais estiverem preservadas. Aqui você pode estar se perguntando: Quais seriam as funções vitais da minha organização? Serão as atividades fins? Algumas atividades-meio não seriam vitais? Então, como saber?

Em qualquer sistema, seus componentes devem se comportar de forma coesa, sempre em direção ao objetivo do todo. Se o corpo humano deve manter uma temperatura em torno de 36 graus, os elementos que influenciam este nível de temperatura devem apresentar um comportamento apropriado para alcançar tal medida, caso contrário o todo estará comprometido.

Nas organizações ocorre o mesmo. Identificar quais funções são vitais depende do estabelecimento prévio de um objetivo para o sistema: a “temperatura” da nossa organização. No mundo capitalista, uma empresa privada tem por objetivo o lucro e todas as funções devem ser executadas para atingi-lo. Entretanto, algumas dessas funções têm maior ou menor aderência e relevância frente ao objetivo.

O primeiro passo para identificar as funções vitais é o de identificar o grau de relevância e aderência de cada uma das funções realizadas no contexto do problema.

Em seguida, devemos estratificar o objetivo da função ou do processo onde ela se insere. Objetivos são normalmente declarados de forma ampla e genérica, por exemplo, o objetivo de nossa organização é ter lucro. Para estratificá-lo devemos decompor o objetivo. Mas como? Vamos Lá!

Por exemplo: Se eu sou o responsável pela gerência da produção, saberia qual a participação do custo de produção na composição do custo total e concentraria meus esforços no vilão da ineficiência: as perdas geradas pelos processos de produção.

O terceiro passo é identificar quais componentes respondem pela execução das funções que geram tais perdas e, em seguida, estabelecer indicadores para medir o rendimento destes componentes.

Com este exercício de decomposição dos objetivos colocamos em evidência os componentes e funções que contribuem em maior ou menor grau com o resultado de um processo.

Aí está! Descobrimos as funções vitais de nossos processos e, consequentemente, de nossa organização. Agora nos resta implantar a monitoria constante do processo e agir sempre que a temperatura der sinais de que seu estado normal está prestes a mudar e causar instabilidade na organização. Isto evitará que ela alcance um estado indesejável: o de falência múltipla dos órgãos.

Nenhum comentário: